A PACIÊNCIA DO JUIZ – QUINTINO CUNHA
José Quintino da Cunha, o Quintino Cunha (1875/1943), se tornou uma figura lendária no Ceará. Não há quem não tenha ouvido falar nesse notável poeta e advogado. Na verdade, menos pelas suas belas poesias do que pela fama de repentista emérito. No entanto, Quintino foi um dos vultos mais importantes da literatura cearense, além de poeta era contista, orador e advogado.(cearamoleque).
A Paciência do Juiz
Em uma cidade do interior cearense, das muitas pelas quais Quintino andava, um rico e portanto importante morador achava de insultar sempre um pobre e infeliz bêbado muito popular na cidade.
- Bêbado safado! Vagabundo! Corno!
E todo dia era a mesma história. Durante dez anos o pobre homem agüentou as ofensas. Mas um dia a paciência acabou e o bêbado matou o ofensor.
Nenhum advogado queria defender o coitado.Quintino, sabendo do acontecido, logo se apresentou como advogado deste.
No júri, o promotor praticamente liquidou com as chances de defesa do inditoso acusado.
Já o Quintino, iniciou com estas palavras:
– Meritíssimo senhor juiz!
– Meritíssimo senhor juiz!
– Meritíssimo senhor juiz!
Por dez minutos o intrépido advogado repetiu essas palavras dando uma leve batida na mesa. O juiz se impacientou e falou.
Doutor Quintino, eu não agüento mais, pare com isso e comece logo!
Era só o que o Quintino queria ouvir para arrasar o argumento do promotor.
– Meritíssimo senhor juiz, por apenas dez minutos eu repeti um respeitoso elogio e Vossa Excelência já se impacientou. Imagine então, um homem agüentar, por dez anos seguidos, os maiores insultos, pelo simples motivo de se embriagar…
– O acusado foi absolvido por unanimidade.
(Do anedotário popular – Redação: Ceará-moleque
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