AGÊNCIA DA BOA NOTÍCIA
Em frase mundialmente célebre, o grande líder político e defensor dos direitos civis Martin Luther King verberava que sua preocupação não residia no grito dos violentos, mas no silêncio dos bons. Essa idéia permanece cada vez mais atual, sobretudo em face do recrudescimento vertiginoso da violência, em todas as suas modalidades, que se tem presenciado não só no Estado, mas em todo o País e mesmo no mundo. Desde as grandes guerras motivadas pelo fundamentalismo religioso ou pela busca da hegemonia de poder e pelo controle das tecnologias nucleares até as pequenas questões do cotidiano, no trânsito, em nossos ambientes de trabalho e muitas vezes até no meio familiar, a violência se faz presente em nosso dia-a-dia de forma cada vez mais assustadora. Neste cenário, a indignação dos bons – aqueles que acreditam e querem a construção de uma sociedade melhor, mais justa e fraterna – precisa se sobrepor às atitudes de intolerância e violência. A criação da Agência da Boa Notícia (ABN), a partir da idéia de um grupo de cidadãos e cidadãs cearenses, é, por si só, uma notícia alentadora. O fomento à formação de cultura de paz e os esforços de convencimento em relação à necessidade imperiosa do respeito à vida e aos valores do humanismo nas notícias veiculadas na grande mídia – objetivos basilares da ABN traduzem uma iniciativa digna de todos os encômios. No Estado, a mídia televisiva se
vê tomada por programas policiais – nada menos que 14 horas diárias – que atentam não só contra o bom gosto mas contra a dignidade de seres humanos, sobretudo os mais pobres, ao exporem de forma desrespeitosa sua imagem, magnificando e banalizando a violência e o preconceito. Mais grave, esse tipo de programa tem arregimentado um público cativo, que, entorpecido pelo medo e pela revolta, parece despido de sensibilidade. A Agência da Boa Notícia é uma esperança de que essa realidade seja transformada. Afinal, não podemos ficar inertes, e sim usar a criatividade, a inteligência e as boas idéias como forma de enfrentar o problema e ajudar a construir a sociedade na qual as boas notícias não serão exceção.
HÉLIO LEITÃO
Presidente OAB-CE
Fonte: Diario do Nordeste 28/06/08
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